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id da página: 1123 Coomaraswamy – Figuras da Linguagem – Notas sobre a Arte "Selvagem Ananda Coomaraswamy Ananda Coomaraswamy »  Coomaraswamy Arte Rama Coomaraswamy

Coomaraswamy Arte Selvagem

  • Notas sobre a Arte "Selvagem"
    • A citação de Thomas Carlyle que estabelece a visão de que, para o homem primordial, o universo era um templo e a vida uma adoração.
    • A questão sobre o que a Nova Guiné tem a oferecer ao olho do artista e ao amante do bom trabalho, levantada por Raymond Firth.
    • A inseparabilidade da arte na Nova Guiné da vida quotidiana, exigindo para sua compreensão o conhecimento do sistema econômico agrícola, da chefatura, da organização clânica, dos arranjos village, das ideias totêmicas e das práticas rituais do povo.
    • O princípio geral da arte tribal como uma expressão de valores sociais complexos e de importância fundamental.
    • A posição do artista nativo em relação à sua conformidade com o estilo local, sendo essencialmente e antes de tudo um artesão.
    • A produção de objetos para uso próprio ou por encomenda direta, mantendo o artista próximo das formas que a experiência provou serem funcionais.
    • O reconhecimento do artesão superior através da admiração e recompensa, sem uma separação autoconsciente do artista e dos seus produtos da esfera utilitária da vida.
    • A ausência de um divórcio entre o artista e o seu público, e a inexistência de um "homem comum" que veja a estética pura da sua tribo como um mistério esotérico.
    • A existência de mistério relacionado a segredos de ofício, transmitidos em famílias e reforçados com feitiços mágicos, como uma característica da cultura geral da tribo.
    • A ausência de um sentido vagamente comunista de trabalhar para o bem público, substituído por um senso de responsabilidade para com os outros, motivado pelo orgulho pessoal, rivalidade social e desejo de ganho econômico.
    • A não inibição do artista pela deferência ao estilo tradicional e às opiniões dos outros, permitindo-lhe concentrar-se no desenvolvimento de variações dentro dos limites tradicionais e no refinamento da sua técnica.
    • O declínio da qualidade da arte com a perturbação cultural pela influência europeia, mesmo com o fornecimento de ferramentas mais eficientes.
    • A introdução de novos elementos de design resultando em trabalhos mais planos, menos ousados, com relevo mais baixo, execução mais descuidada e desaparecimento dos tipos de design e artesanato mais difíceis.
    • A discussão de Raymond Firth sobre a conexão da arte com a moderna "apreciação" da arte abstrata e o interesse na psicanálise da arte.
    • A rejeição do dogma freudiano que equipara o selvagem à criança e alega que o primitivo é livre dos grilhões que atrapalham o homem civilizado.
    • A caracterização de uma máscara Sepik não como uma simples projeção de um inconsciente cru, mas como expressão consciente de adesão a uma tradição cultural que incorpora um estilo de trabalho e uma maneira especificamente prescrita de representar ideias religiosas e sociais.
    • A avaliação do Surrealismo como psicologicamente interessante mas esteticamente insignificante, incapaz de acrescentar à compreensão da arte primitiva.
    • A crítica à descontextualização de objetos de trabalho nativo, que são despojados do seu verdadeiro significado e dotados de um conjunto alienígena de valores.
    • A superioridade da abordagem antropológica sobre as abordagens psicológica e estética para uma arte unfamiliar, conforme ilustrado por Firth.
    • A distinção admiravelmente definida por Herbert Spinden entre a crítica estética, interessada no impacto visual e emocional, e a crítica etnológica, interessada no uso e significado declarados pelos artistas nativos.
    • A diferença fundamental entre considerar a arte de povos primitivos como uma ostra para o homem branco ou como uma cultura para o homem negro.
    • A impossibilidade de separar as manifestações estéticas dos nativos das Ilhas Marquesas do tecido inteiro da sua civilização.
    • A impertinência e irrelevância das interpretações psicológicas e estéticas da arte dos nativos, à luz da sua beleza física e saúde perfeita antes da chegada dos homens brancos.
    • O afastamento dessas abordagens do ideal pretenso de objetividade científica.
    • A sobrevivência nas Ilhas Marquesas da concepção da manufatura como um rito, conscientemente imitativo do trabalho formativo do Pai.
    • A psalmodia de encantamentos sagrados relatando a gênese e o crescimento do mundo e dos homens durante o início do trabalho.
    • A personificação dos materiais de construção, que eram convidados a colaborar.
    • A recapitulação do processo de construção de uma canoa, exatamente como seguido por Motuhaiki, o primeiro construtor de canoas.
    • A conferência solene do nome a cada parte da canoa ao final da psalmodia.
    • A importância considerada dos encantamentos causativos como não inferior ao trabalho propriamente dito.
    • A indispensabilidade de isolar o trabalho de toda influência contaminadora para preservar intacta a atmosfera sobrenatural gerada pelo encantamento.
    • A construção de uma casa especial para a execução do trabalho, cercada de tapu (tabus).
    • A dedicação solene e concentrada dos trabalhadores, que fechavam os sentidos às distrações do mundo exterior e observavam rigorosa continência durante a duração do trabalho.
    • O preparo das próprias refeições pelos trabalhadores para evitar que mãos não consagradas tocassem a sua comida.
    • A desconsagração formal do artista e do artefato ao final da operação, retornando do nível transcendente para o das atividades seculares.
    • A prática das artes menores igualmente em um recinto sagrado.
    • A operação do artista como um iogue iniciado, tal como na Índia e noutros lugares, ligando-se inseparavelmente arte e sacrifício.
    • A pertença de toda esta teoria da criação artística a uma metafísica universal, sendo de importância não menor que os desenhos formais para uma pesquisa sobre as origens.
    • A conexão inevitável entre o caráter da arte propriamente dita e as condições sob as quais ela era produzida.
    • O espírito saudável e natural, não excessivamente religioso, no meio do qual as artes e ofícios eram exercidos.
    • A natureza de empresa comunal de todo trabalho, exigindo a cooperação de muitos homens da tribo, participando num espírito de festa.
    • A apreciação das vantagens práticas das convenções da magia, do tapu e do trabalho comunal, apesar de nos parecerem estranhas.
    • O estabelecimento de uma regra de trabalho que assegurava um esforço concentrado e sustentado desde o início até ao acabamento, seguido de repouso e relaxamento.
    • A organização de tudo para o melhor desempenho do trabalho do artesão, sem desvios por esforços externos ou distrações.
    • O reconhecimento da profissão como parte integrante da atividade comunal, assegurando segurança econômica e um lugar honrado na tribo.
    • O reconhecimento da excelência da educação profissional, que permitia ao artista representar exatamente a sua obra antes de empreender a sua execução.
    • A determinação ritual dos procedimentos de toda arte e a fixação dos desenhos particulares pela tradição.
    • A medição da capacidade de um artista essencialmente pela exatidão do seu saber e da sua execução.
    • A persistência do ideal de perfeição técnica, mesmo na ausência dos encantamentos, levando o artesão a rejeitar peças imperfeitas.
    • A formação dos mestres através da escola prática da aprendizagem, recebendo o título de tuhuna com o sufixo da sua arte.
    • A versatilidade de muitos mestres, que conheciam várias ou todas as artes, recebendo o título de tuhuna nui (grande mestre).
    • A acessibilidade dessas profissões a qualquer homem e a algumas mulheres.
    • O embelezamento por parte destes tuhuna habilidosos tanto dos objetos mais ordinários da vida quotidiana como das paruras mais estimadas ou dos símbolos mais venerados.
    • A capacidade de cada lar prover, pelo menos em parte, ao seu próprio equipamento, complementada pela prática sofisticada da troca de presentes.
    • A dificuldade em ver como estas formas e propósitos de vida poderiam ser melhorados, seja do ponto de vista do produtor ou do consumidor.
    • A superioridade incomparável destas condições de vida face às aceites pelas democracias industriais ou imperialismos totalitários de hoje.
    • A impossibilidade de dissociar estas reflexões do facto desconcertante de que, nas Ilhas Marquesas, toda a sua técnica fazia parte das suas relações com o sobrenatural.
    • A tomada de posse das ilhas pelos franceses em 1842, condenando a sua cultura.
    • O declínio populacional drástico dos ilhéus, outrora os mais belos e viris da Polinésia tropical, de 75.000 almas para um punhado de homens.
    • A observação de Willowdean Handy de que, apesar do quase desaparecimento dos aspectos exteriores da sua cultura pela ação devastadora do homem branco, muitos ilhéus individualmente ainda são a encarnação das ideias que geraram a sua arte impressionante.
    • A sobrevivência de qualquer resquício cultural apesar das atividades modernas ditas "educativas" e "civilizadoras".
    • O desprezo dos ilhéus pelas instituições estrangeiras, sejam administrativas, comerciais ou religiosas.
    • A motivação ritual e religiosa das artes Pueblo, cujo lapso levaria ao desaparecimento das artes, sendo o ganho comercial o único substituto à vista.
    • O comentário de um revisor sobre como inovações aparentemente inofensivas podem levar à desintegração da cultura Pueblo.
    • O "progresso" dos povos, no sentido corrente e imoral da palavra, como um empreendimento arriscado, levando frequentemente à venda da primogenitura por um prato de lentilhas.
    • A pobre substituição representada pelo "padrão americano de vida" face a uma cultura com motivação religiosa.
    • A observação de Tom Harrison sobre as Novas Hébridas: nenhum homem é incapaz de talhar, dançar e contar histórias.
    • O impulso para a forma de arte ser a tradição, via ritual (e religião).
    • O objeto da forma de arte ser a satisfação da função ou do ritual.
    • A cooperação de coisas intangíveis em cada esforço de fazer, onde um homem não talha uma figura de pássaro, mas participa na talha.
    • A dança ser considerada a mais alta forma de arte, não sendo feita independentemente do ritual.
    • A música ser usada quase exclusivamente com a dança, não como uma coisa em si.
    • As canções como uma forma de contar histórias, e as palavras como uma arte nativa com um padrão circular intrincado.
    • O vasto repertório de mitos que cada criança aprende, formando uma biblioteca inteira, com os ouvintes sendo mantidos numa teia de palavras fiadas.
    • A facilidade com que os nativos aprendem a escrever após o impacto branco, mas a considerarem uma performance curiosa e inútil, questionando a necessidade da escrita face à memória e à fala.
    • A simplicidade das ferramentas, não buscando melhores, o que impôs simplicidade às coisas feitas.
    • A reserva da elaboração para as ideias, para as danças e para os desenhos na areia, em vez dos objetos materiais.
    • A tendência para a contemplação interior.
    • A educação das crianças através da escuta e da observação.
    • A aprendizagem dos muitos labirintos intrincados de desenhos de linha contínua na areia, necessários para o conhecimento agora e no futuro, que devem ser aprendidos à perfeição, com as suas histórias e certezas.
    • O aumento da selvajaria nativa pelo impacto branco, de acordo com a maioria dos observadores.
    • A sobrevivência de um ódio inquebrável pelo branco em Malekula até hoje.